A prisão preventiva do ex-presidente Jair Bolsonaro, na sede da Polícia Federal (PF), pode ser interpretada como uma possível escala para a execução de sua pena por tentativa de golpe de Estado já em cela especial na instituição, abrindo caminho para a unificação do campo do centro e da direita, além da Faria Lima, em torno da provável candidatura presidencial do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas.
(Fabio Pozzebom/Agência Brasil)
A ordem de prisão foi determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), neste sábado. Moraes orientou uma prisão sem algemas e sem exposição, sugerindo risco de fuga e apontando a convocação de uma vigília pela saúde do ex-presidente e a tentativa de violar a tornozeleira eletrônica como motivações.
No âmbito eleitoral, as pesquisas, apesar de apontarem um ciclo recente de queda, recuperação e estabilidade da popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, também indicam manutenção de um cenário de disputa acirrada, margem apertada de vitória e favoritismo estreito do incumbente. Ou seja, há espaço para uma candidatura de oposição crescer e tentar vencer.
A detenção de Bolsonaro tende a aumentar essas articulações eleitorais — tanto aquelas voltadas a reduzir suas penas e devolvê-lo à prisão domiciliar quanto as que ampliam pressões políticas — além de guardar potencial para alas majoritárias do Legislativo imporem mais derrotas ao Palácio do Planalto, como na pauta da segurança pública e em outros temas, sobretudo após a insatisfação do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, com a indicação de Lula ao STF.
Em contraponto, as investigações em torno do Banco Master podem alvejar lideranças do campo do centro e da direita, elevando a tensão em torno das narrativas ligadas ao tema da “corrupção”.
Resta saber se o clã Bolsonaro, devido a seu peso no desempenho da oposição, conseguirá agir com pragmatismo ou se vai consolidar uma posição de entrave à união centro-direitista. No entanto, as declarações recentes do senador Flávio Bolsonaro — de que estará junto com Tarcísio —, as eventuais pressões do mercado financeiro e os avanços das negociações comerciais Brasília–Washington indicam possibilidade de superação do impasse.