| Por: Leopoldo Vieira |
Uma eventual candidatura do presidente do PSD, Gilberto Kassab, como vice na chapa de reeleição do governador Tarcísio de Freitas ao Palácio dos Bandeirantes poderia contribuir para a reconstrução de um espaço mais robusto de centro na política nacional em 2030, segundo lideranças políticas paulistas que acompanham as tratativas.
Com Kassab como vice, e considerando as tendências eleitorais tradicionais do estado, Tarcísio ficaria menos dependente do voto bolsonarista para buscar a recondução ao cargo e poderia se preparar com maior autonomia para uma disputa presidencial. A avaliação do próprio Kassab é que o ex-ministro da Infraestrutura seria “imbatível” em uma corrida ao Palácio do Planalto no cenário do chamado “pós-Lula”.
(Pedro França/Agência Senado)
Desde a ascensão de Jair Bolsonaro ao poder, em 2018 — movimento que retirou o PSDB de cena como polo adversário do PT —, o centro político perdeu protagonismo e passou a se expressar por meio da força parlamentar do Centrão. O bloco, por sua vez, passou a ser visto por setores do establishment econômico e das classes médias e populares como associado à “velha política” e a escândalos de corrupção, como o orçamento secreto.
Apesar disso, há resistências relevantes na direita em torno de Tarcísio à indicação de Kassab para a vice. Embora o receio principal seja a perda de espaço político, em meio às circunstâncias que cercam Bolsonaro, porta-vozes do clã têm insistido que o governador paulista não teria alternativa senão se submeter às estratégias delineadas pela família.
Interlocutores ponderam que, mesmo com o crescimento do senador Flávio Bolsonaro nas pesquisas, Tarcísio apresenta percentual semelhante — ou até superior — de competitividade em cenários de segundo turno. Além disso, a média em torno de 10% registrada pelo governador em levantamentos da Quaest e da AtlasIntel, quando testado com Flávio, pode não se transferir integralmente ao senador caso avancem associações negativas ligadas à pandemia de Covid-19 ou aos ataques antidemocráticos que levaram o patriarca do clã à prisão no complexo da Papuda — ainda que na unidade conhecida como “Papudinha”. Tais marcas podem reduzir o espaço do centro ao reforçar vínculos com visões percebidas como de extrema-direita.
No plano estadual, uma composição com Kassab também mitigaria riscos de surpresa diante da especulada candidatura da ministra do Planejamento, Simone Tebet, que contou com o apoio de nomes influentes do mercado financeiro refratários ao bolsonarismo em 2022.
Contudo, o cenário de uma chapa Tarcísio–Kassab é visto como pouco provável. As apostas predominantes indicam que o governador deverá atuar como cabo eleitoral de Flávio, evitando que o capital político do ex-presidente seja substituído por um centro reorganizado, capaz de se reposicionar como alternativa de governo.