Sociedade civil se mobiliza contra tarifaço, maioria é contra



(CUT)


| Manifestações em todo o país foram convocadas para esta sexta-feira, 1º de agosto, com o objetivo de defender a soberania do País, a democracia e o sistema de Justiça nacional frente à ofensiva do presidente americano Donald Trump. Na liderança da mobilização estão a Central Única dos Trabalhadores (CUT) e movimentos sociais, como a Frente Brasil Popular e o Povo Sem Medo.|

Uma pesquisa do instituto Quaest, realizada entre os dias 28 e 30 de julho, revela que 72% dos brasileiros se declararam contra o tarifaço de 50% que Trump pretende aplicar sobre produtos exportados pelo Brasil. O pacote de tarifas agora está previsto para entrar em vigor no próximo 6 de agosto e representa uma retaliação direta ao julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro pelo Supremo Tribunal Federal (STF), réu por tramar um golpe de Estado violento.

Segundo a pesquisa, o apoio ao tarifaço, embora minoritário (19%), é mais frequente entre homens, eleitores de Bolsonaro e pessoas que se identificam como politicamente de direita. Nas redes, há forte rejeição popular também às sanções impostas contra o ministro Alexandre de Moraes, do STF A análise de 1,6 milhão de menções nas redes sociais mostrou que 60% dos usuários criticaram as medidas, enquanto 28% apoiaram e 12% foram neutros, com publicações majoritariamente informativas.

Após reunião de emergência no Palácio do Planalto, na noite de quarta-feira (30), o governo brasileiro decidiu adotar uma resposta segmentada, de acordo com os setores afetados, às sanções impostas pelos EUA. 
Em paralelo, a taxa de desocupação no Brasil caiu para 5,8% no trimestre encerrado em junho de 2025, a menor já registrada pela série histórica da PNAD Contínua, iniciada em 2012. Os dados foram divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O presidente da CUT, Sérgio Nobre, defende que há mecanismos de sobra para preservar os empregos sem demitir, citando a antecipação de férias e feriados, férias coletivas e a suspensão ou redução temporária da jornada de trabalho. 

Na pauta das manifestações também estão o fim da escala 6x1, a reforma do imposto de renda para ampliar a isenção até R$5 mil, a taxação dos super-ricos, o veto ao chamado "PL da devastação", contra a "pejotização" irrestrita e pelo fim do genocídio em Gaza

A ofensiva de Trump elevou ainda mais a temperatura da política brasileira e mobilizou diferentes setores da sociedade civil. O tema deve dominar o noticiário e os debates nos próximos dias, especialmente com a aproximação da data de vigência das tarifas e o incremento da disputa política, com as eleições de 2026 cada vez mais próximas.

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